Como diagnosticar falha intermitente na automação
A falha que não se reproduz é a mais cara da planta. Existe método — e ele começa registrando, não trocando peça.
A máquina para. Ninguém entende. O técnico chega, testa tudo, está tudo bom. Religa e funciona. Três dias depois, para de novo.
É o tipo de problema que já consumiu mais peça trocada "por desencargo" do que qualquer outro — e que quase nunca é resolvido por troca de peça.
Regra zero: pare de trocar componente
Trocar peça sem evidência tem três efeitos ruins: gasta dinheiro, introduz variável nova e, quando a falha some por acaso, cria uma explicação falsa que atrapalha o diagnóstico da próxima vez.
Passo 1 — Registrar antes de agir
Sem registro não há padrão, e sem padrão não há diagnóstico. Monte uma folha simples e exija preenchimento a cada ocorrência:
- Data, hora e turno
- O que a máquina estava fazendo (partindo, em regime, trocando produto, parando)
- Condição ambiental (dia quente, chuva, lavagem em curso)
- O que mais estava operando na planta naquele momento
- Mensagem exata na tela
- O que foi feito para voltar a produzir
Cinco ou seis registros costumam revelar o padrão sozinhos.
Passo 2 — Procurar a correlação
As correlações que mais aparecem:
- Sempre no mesmo horário → outra carga ligando na mesma alimentação, troca de turno, lavagem, ciclo de degelo
- Sempre depois de horas rodando → aquecimento (painel, inversor, mancal)
- Sempre na partida → queda de tensão, rampa curta, mecânica travando a frio
- Em dia de chuva ou lavagem → umidade em conector, isolação comprometida, aterramento
- Quando outra máquina liga → interferência eletromagnética, afundamento de tensão, terra compartilhado
- Depois de troca de produto → parâmetro de receita, sensor no limite de detecção para material diferente
Passo 3 — Usar o CLP como registrador
Esta é a ferramenta mais subutilizada. Adicione ao programa uma lógica de captura: quando a falha ocorrer, congele em memória o estado das entradas críticas, o valor das analógicas, o passo da sequência e o horário. Um buffer circular com as últimas ocorrências entrega, em uma semana, o que meses de tentativa não entregaram.
Se o supervisório tem histórico, configure a gravação das variáveis suspeitas em alta frequência.
Passo 4 — Investigar as causas físicas
Com o padrão em mãos, procure onde ele aponta:
- Conexão frouxa. A campeã absoluta. Dilatação térmica afrouxa terminal; o contato oxida e a resistência sobe. Reaperto com torquímetro e termografia sob carga encontram.
- Aterramento e blindagem. Malha aterrada nas duas pontas, blindagem interrompida em emenda, terra de sinal misturado com terra de potência.
- Cabo danificado em ponto de movimento. Esteira porta-cabo, articulação, passagem por aresta viva. O rompimento é intermitente antes de ser definitivo.
- Sensor no limite do alcance. Vibração e desgaste deslocam o alvo. Detecta a maior parte das vezes e falha de vez em quando.
- Fonte de alimentação no limite. Cai sob pico de consumo e volta.
- Interferência. Cabo de sinal correndo junto com cabo de potência de inversor.
Passo 5 — Confirmar antes de fechar
Corrigida a causa provável, não declare resolvido no mesmo dia. Mantenha o registro rodando pelo tempo equivalente a três vezes o intervalo médio entre falhas. Se a falha aparecia a cada cinco dias, quinze dias sem ocorrência é evidência. Dois dias não são.
A Platix diagnostica falha intermitente em Piracicaba, Americana, Limeira e região — com método, registro e relatório do que foi encontrado, não com troca de peça no escuro.
Carlos Alexandre Cotta Coelho
Engenheiro de automação industrial · CREA ativo · 15 anos de campo
Atende pessoalmente em Piracicaba, Americana, Limeira, Rio Claro e região. Diagnóstico de causa raiz, adequação NR-12 e manutenção preventiva com relatório técnico assinado.
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